12.1.16

Fiestas y otras cositas Más ...



Queridos amigos fetichistas,

Como vocês já devem ter notado, esse nosso espaço segue uma pequena política de controle em relações aos eventos fetichistas que ocorrem na cidade maravilhosa. Todas as festas que anuncio, divulgo e resumo em ata por aqui, são administradas por pessoas que conheço do meio BDSM e que sei que prezam pela máxima segurança, sigilo e consensualidade que esse tipo de evento pede. Se eu não conhecer o organizador, eu só divulgo depois de frequentar o ambiente. É claro que alguns eventos importantíssimos acabam ficando de fora desse blog pelo simples fato de eu não saber a data certa do seu acontecimento, como ocorre, por exemplo, com o encontro do meu querido amigo Fidel no Bar do Ernesto (Lapa), cuja divulgação é quase exclusiva via facebook e eu raramente entro no mesmo – como vocês também devem saber, tenho uma certa dificuldade em gostar e participar de qualquer tipo de rede social. Então, quando não sou comunicado pessoalmente de determinados eventos, acabo não sabendo dos detalhes deles. É basicamente isso.
Agora, porque essa introdução?
Pelo fato de que minha querida irmã Lótus vai fazer sua próxima Festa Exótic junto com outra festa, chamada “Segundas Intenções”, cuja proposta, ao que parece, é unir o fetiche e o BDSM ao Clube de Swing.
Apesar de eu ter total confiança na minha querida irmã Lotus em relação ao nosso prazeroso meio BDSM, eu não conheço os administradores dessa outra festa, e não sei exatamente que tipo de evento teremos pela frente nessa próxima quinta-feira, no clube Mix, na Praça XV.
Como no Flyer do evento, além da junção das duas festas, é anunciado tanto o meu aniversário como o da minha maninha Lótus, será um prazer fazer parte de tal comemoração, e posso dizer que até me sinto honrado em estar sendo homenageado em um evento do qual nunca antes participei. Todavia, antes de fazer um convite a todos os amigos fetichistas para comparecerem ao meu aniversário, eu me sinto na obrigação de informar que esse evento deve ser diferente dos demais a que estamos habituados, mas que com certeza me sentirei muito feliz com a presença de todos.

Ps. Caso o evento fuja completamente dos padrões de nossas festas BDSM a que estamos acostumados, podemos todos ir para algum botequim terminar as comemorações da noite.

Quinta-feira, dia 14 no Club Mix, na Praça XV – Exótic + Segundas Intenções. Eu e minha Irmã Lótus estaremos comemorando nosso aniversário. Espero vocês lá!

19.12.15

Todas as Fabíolas do Mundo



Fabíolas são louras, morenas, negras, ruivas, albinas, magras, gordas, jovens e idosas. São nossas mães, filhas, irmãs, amigas, professoras, bancárias, médicas, políticas. Torcem por um time de futebol, têm suas preferências musicais, literárias, cinematográficas, sexuais, religiosas, políticas. Trabalham fora do lar, dentro do lar, procriam, estudam, cuidam dos filhos, se cansam e dormem. Coabitam com nós os mesmos espaços públicos e privados, respiram o mesmo ar, respeitam as mesmas leis, pagam os mesmos impostos, entram no mesmo mar, no mesmo motel, fazem sexo na mesma cama que nós.

Mas Fabíolas não são iguais a nós, isso nunca! Elas convivem diariamente com agressões e assédios em espaço público; toques indesejados em ônibus, metrôs, baladas, festas e dentro da própria casa. São vítimas de homicídios por seus próprios companheiros.Quem manda sair pra rua de saia e decote?! Então, não podem errar, estão absolutamente proibidas disso, pra toda ação há uma Jus-ta reação.
Fôssemos nós flagrados em um motel com uma Fabíola solteira, filmados e expostos em redes sociais, quem seria julgada seria ela, foda-se, a perversa, a safada - Fabíola aquela puta - afinal, deu em cima de um cara honesto e comprometido.
Fabíola em motel traindo seu marido?? Nem pensar. Crime premeditado, devasto, imoral, imperdoável, imprescritível, inafiançável e inesquecível. Pena não estarmos em um Estado que aceite o apedrejamento em praça pública. Total legítima defesa do marido em agredir; tem que meter a porrada mesmo, foi até bonzinho. Plenamente justificável o ato pra defender sua moral de macho, afinal, não somos iguais mesmo, e a carne só é fraca pro nosso lado, aí podemos. Taí a Jus-tificativa plausível e incontestável - para nós a carne é fraca e nossos instintos Jus-tificam a fugida ao motel. Fabíola que aguenta parto aguenta tesão. E se não se segurar, Fabíola, você é puta!

  A vida sexual da Fabíola indigna o povo; a violência é tolerável e justificada; a nossa vida sexual transcorre à moda normal em águas paradas. Moralidade é coisa para Fabíolas!

Perdoai-vos Fabíolas, eles não sabem o que dizem.

28.11.15

Exótic - 4 anos - Ata



Adoro fazer aniversário! Falta pouco mais de um mês para eu completar quarenta e um anos de idade, e quase metade disso foi freqüentando eventos fetichistas. Recordo-me da minha primeira festa como se fosse ontem, com concentração e tudo, na companhia dos então ainda desconhecidos Tonhão e Podo_Rj. Nos conhecemos no dia do evento, no primeiro esquenta, naquela ansiedade de estar diante de um evento totalmente diferente de tudo que conhecíamos. Foi primeira Festa FetiXe aberta ao público, em uma casa noturna chamada “Cabaré alguma coisa” bem no coração da Lapa, sob o comando da eterna Rainha Nefer. Lembro que tinha pouquíssima gente, e as Rainhas Walquíria e Andréa me destruíram completamente. Pisaram-me tanto que no dia seguinte eu não conseguia tomar banho, doía tudo em mim. Minha ânsia de ser pisado por mulheres era tão grande que me deitei aos pés delas e só levantei quando a festa terminou. Depois dessa experiência, ou seja, de saber que existia um lugar onde mulheres gostavam do mesmo que eu, eu nunca mais fui o mesmo, e todas as minhas escolhas dali em diante tinham como contrapartida a existência de festas fetichista. O tempo passou.
Há exatos quatro anos eu recebia um telefona da Rainha Lótus me convidando a participar de uma festa com ela, teríamos também a forte colaboração do amigo Mário. Essa dupla me vez sair mais de vez do “Armário Baunilha” que eu havia me enfiado por quase um ano e novamente voltei pra ação. A Exótic não nascia apenas como um xodó pronto para ser admirado, era um desafio, visto que a Cidade Maravilhosa não contava naquele momento com nenhum evento parecido, fazendo com que o público ficasse meio que adormecido para uma festa BDSM aberta ao público. Conseguimos um espaço em um antigo bordelzinho na praça da bandeira e iniciamos um trabalho que conquistou um grande número de adeptos. Tivemos problemas, é claro, mas nada que atrapalhasse nossa caminhada. Quando a gente faz com prazer à coisa flui. Foi como eu disse depois que cantamos os parabéns em homenagem a esses quatro anos da Exótic nessa última sexta-feira: “Nós temos amigos, as pessoas abraçaram a causa, e durante esses quatro anos fizemos um público respeitável, e se temos isso, não precisamos de muita coisa mais. Vocês que comparecem e estão sempre nos prestigiando são nosso verdadeiro e único presente, nossa maior motivação e satisfação em ter iniciado esse trabalho”. Vida Longa a Exótic e ao BDSM Carioca.

Eu e Minha Rainha Camille Dame fizemos uma pequena concentração no Bar do Gerson por voltas das 23 horas do dia vinte do novembro, lá eu expliquei a minha Deusa nascida no interior que garçom carioca diferencia “bolinho” de “salgadinho”. Na terra dela a palavra bolinho é sinônimo que engloba todos os gêneros de salgados que uma lanchonete comercializa, tais como pasteis, quibes, coxinhas e bolinhos. No Rio de Janeiro bolinho é bolinho, coxinha é coxinha, e por aí vai. Ele queria uma coxinha, e perguntou qual bolinho tinha; o atendente trouxe um bolinho de bacalhau pra ela. Viva nossas variantes culturais.
Entramos na Exótic por volta da meia noite, a casa já estava cheia, em ritmo de aniversário. A saletinha dos fumantes no segundo andar era o espaço mais disputado, mesmo com a incomoda presença da fumaça dos cigarros. Ali a azaração já rolava, as deusas sentadas, os podos ao redor, os pezinhos já começando a sair dos sapatos para as primeiras seduções. Todavia, quem abriu os trabalhos foi um rapaz desconhecido que massageou e beijou os pés de uma morena lá no salão principal do primeiro andar, Alexandre se ajoelhou, tirou carinhosamente as sandálias da Amanda, tateou as solas, passou seus dedos sobre os dedos dos pés dela, e começou uma leve massagem seguida com intervalo de beijos.
Num cantinho adequado, entre o bar e a escada de acesso à cabine do DJ, outro casal tomou iniciativa, e o rapaz beijou a sola dos sapatos de uma menina que se negou a tirá-los.
A pista de dança cedeu espaço para a primeira grande performance da noite, a anfitriã Lótus prendeu o escravo Marcos na corda central amarrada ao teto e aplicou-lhe uma boa surra de chicote, foi um spanking demorado, com golpes fortes e precisos.
Ao acabar essa play, fomos aproveitar o espaço ainda aberto pelo público. Camille e eu fizemos uma demonstração de trample. Ela subiu de sandália de salto fino e assim caminhou em cima de mim por vários minutos, depois me obrigou a tirar cada uma sem sair de cima do meu corpo (esse é o momento em que o “tapete” tem que ser sagaz e rápido para desabotoar as fivelas da sandália, pois a Rainha está com todo seu peso somente em um pé, e com o salto te furando a barriga), fui meio lento e sofri as conseqüências, guardei por dias a marquinha redonda do salto na minha pele. Descalça, ela me obrigou a cheirar suas solas e lamber cada pedacinho do seu pé, depois deu uns pulos e uns chutes.
Plays começaram a acontecer por todos os lados, BB Karioca como sempre agitou bastante, e na salinha dos fumantes Rainha Severa tinha os pés adorados por um rapaz, outras Deusas também tinham os pés beijados.
No salão principal duas plays de Spanking chamaram a atenção, ambas com a escrava Alyin. Na primeira quem comandou os chicotes foi a Rainha Lótus, e na segunda a Rainha Severa. Essa última Deusa ainda fez uma linda play de poney com Mário.
Rainha Sol me pediu massagem nos pés e fiz somente no seu pé esquerdo, parece que o direito estava reservado para outro podo, não sei bem ao certo. Outra Rainha, no outro canto da sala, tinha os dedinhos chupados por seu escravo.
Quase as duas da manhã a tequileira entrou em cena, e deu um show espetacular: homens e mulheres revezavam na cadeira posta ao centro de salão e eram dominados de uma forma extremamente sensual; ela pisava em suas coxas, batia em alguns rostos, rebolava nos seus narizes, e no final, ora com a boca ora com a garrafa, derramava o líquido alcoólico em suas bocas.
A Rainha Camille Dame contou dessa vez com uma experiência diferente, uma escrava esteve ao seu domínio por alguns momentos na festa. Durante a noite um dominador conversou com ela e disse que tinha vontade de ver sua escrava adorar os pés de uma mulher bonita. Camille concordou e fez um dos shows mais sensuais da noite. A escrava se ajoelhou a seus pés, lambeu toda sua sola e chupou todos os seus dedinhos por muito tempo. Rainha Camille ainda provocava, esfregando suas solas com força na língua da moça, e empurrando mais e mais seus pés para dentro de sua boca.
Depois disso, para amenizar o fogo na alma das pessoas, cantamos os parabéns; foi a hora emocionante da noite. A anfitriã Lótus quase não falou, e nosso amigo Mário também não deu as caras. Então fiz um pequeno discurso, meio tímido, meio gago, mas de coração. Foi bom ter amigos por perto.
O DJ soltou o som e logo a seguir o Senhor Rasputin fez sua bela play com sua escrava.
Saímos de lá depois das quatro da manhã e a festa ainda bombava. Acho que virou a noite.

Minha vontade era fazer um agradecimento nominal aqui, dizer os nomes das pessoas que fizeram questão de estar conosco, que se esforçaram para ir à festa porque gostam da gente, pois têm boas recordações desses quatro anos, e que vêem a Exotic como uma segunda família. Queria falar de gente que compareceu com queimaduras nas pernas, ou que estava grávida, ou que levou a noiva pela primeira vez, só para não perder a festa. Ou mesmo aqueles que no passado já tiveram algum tipo de desavença com alguém da festa ou da casa, pois isso acontece nas melhores famílias, e que foram superiores o suficiente para retornarem e mostrar de uma vez por todas que estamos juntos para o bem do nosso fetiche. Mas não posso citar nenhum nome, seria extremamente injusto algum esquecimento nessa hora. Então termino esse texto mandando um beijo muito carinhoso de agradecimento no coração de todos, e aproveitando esse momento de babação de ovo para convocar vocês para outro aniversário, dessa vez o meu e o da minha irmã Lotus, que será em Janeiro, na próxima festa Exótic. Vamos bater um recorde?


Mas você - eu não posso e nem quero explicar, eu agradeço”.
Clarice Lispector

16.11.15

Exótic Comemora 4 anos de existência - Nessa Sexta-feira



Amigos e amigas fetichistas,

Está chegando à hora de mais uma super edição da: "Exòtik Fetish Fest”, e dessa vez com um motivo especial para ninguém ficar de fora! Estaremos comemorando o aniversário de "4 anos de exótic”. Será nessa sexta-feira, dia 20 de Novembro, a partir das 23 horas, no espaço CASTLE OF VIBE, localizado na Avenida Gomes Freire, 814, Lapa – RJ


Venha se divertir nessa grande festa fetichista, onde teremos um excelente espaço liberado para qualquer prática fetichista: Trample, adoração de pés, Spanking, Torturas de todo o tipo, Poney Boy, Velas, Voyerismo, Shibari, Dog Play, Cross Dresser, Bondage, CBT, Suspensão e performances obscenas! Muita gente bonita já confirmou presença.

Mais uma vez nosso fetiche será no aconchegante espaço do Castle of Vide, novamente a casa escolhida para abrigar essa grande festa, onde o local é super discreto e temático. Teremos o DJ Finno tocando a noite som dos anos 80, Eletro Pop, House, Tribal, Goth, Trip Hop, e Rock'n'Roll, além de vários filmes BDSM e fetichistas selecionados por mim e pelos experientes VJs Mário Tapete e Severin Mountty.
Haverá ainda especial Tequilatrix com Aninnha Wolff, performances comigo, com a Dame Lótus, Rainha Morgana e Sr. Rasputin, além das mais variadas atrações desse nosso prazeroso e instigante meio BDSM, onde você pode ser o personagem principal, então não perca!

Ingressos no local:
Homens 60 Reais (Com nome na lista pagam somente 50 Reais)
Mulheres 40 Reais (com nome na lista pagam somente 20 Reais)
C. D. 40 Reais (a noite toda)

Lista amiga: Existem três o opções para colocar seu nome na lista e arranjar o desconto:
1-     Colocando o nome na página do evento no Facebook
2-     Mandando um SMS com o seu nome para: 21 99784 6948
3-     Mandando um e-mail para mim até as 13 horas do dia da festa – quaternado@yahoo.com.br

Dress Code (opcional): All black, Máscaras, Fantasias em Geral, Fetish, Couro, Latex, Lingerie, Vinil, Style Sexy, Goth e Zentai

Informações: 21 9 9784 6948    
Lótus Produções Fet
* Proibido fotografar
* Sujeito à lotação e alteração sem aviso prévio.
* Classificação etária 18 anos

22.10.15

Fetish Lab - New Retro Wave - Ata


Daqui a uns quarenta anos, quando meus filhos me perguntarem o que eu fazia quando estava em uma festa BDSM nos primórdios do nosso monstruoso século XXI, vou lançar um olhar para trás, por sobre o crescente abismo de tempo, e dizer-lhes com toda boa-fé, que nunca me diverti tanto quanto naquela época, e que meu fetiche por pés femininos foi à principal chave para descobertas e conhecimentos incríveis em um momento em que nosso país ainda se arrastava na conquista de direitos individuais e sociais. Que aqueles eventos que aconteciam com mais frequência no eixo Rio/São Paulo - onde podíamos ver homens engatinhando aos pés das mulheres, servindo de cavalinho, apanhando consensualmente, sendo pisados e outras coisas mais – era como que um tapa na cara no retrocesso político que o parlamento com sua bancada ruralista e evangélica de extrema direita impunha nas chamadas minorias do país. E que apesar de não termos sido um foco de resistência, como são as paradas LGBT ou mesmo o MST, nossas festas fetichistas funcionavam meio que na contra mão desse pensamento retrógrado que ainda faz leis da idade média onde o conceito de família exclui pessoas do mesmo sexo que se amam. Meus filhos terão dificuldades em entender o paradoxo de que as mesmas mulheres que reinavam entre as quatro paredes nas nossas cerimônias, tendo controle total não só do seu corpo, mas também do corpo do homem que naquele momento lhe jurava obediência, fora dali, nas leis dos homens, não tinham ainda conquistado o total direito de decidir sobre o que fazer com seu próprio corpo em situações de exceção. Vou recordar com carinho e curiosidade fatos que só acontecem uma vez a cada vida, a cada geração. E se me perguntarem o que aconteceria se eu tivesse uma máquina do tempo e pudesse voltar atrás, eu diria que faria quase tudo igual. Tentaria apenas explicar com mais intensidade a aqueles que gostam ou gostaram muito de mim, o quanto o fetiche foi, é, e será importante na minha vida, na minha formação como homem, na minha sexualidade e especialmente na minha felicidade; e que não se magoem comigo por conta disso. Nada foi nem será feito por mal.

A Fetish Lab, mesmo sem querer, tem uma característica essencial que ajuda na socialização dos que nela comparece. É a natural “concentração” da galera antes da festa, ou no melhor português boêmio, o esquenta pré-festa. Na mesma rua do evento têm um daqueles botecos pé-de-chinelo com aquela loira gelada barata em garrafa de 600ml que faz a alegria de qualquer cervejeiro. E como o bar é o único do quarteirão, não há pra onde correr. Todo mundo briga pelas mesas e cadeiras, e depois que essas acabam, usam os caixotes dos engradados como banco, colocam o copo entre as pernas e ali mesmo começa a azararão, a troca de contatos, e os primeiros olhares nos pezinhos. A festa abre, e a galera ainda pede a saideira pra esperar a fila diminuir; e o dono do bar querendo fechar, expulsa os últimos fetichistas.

Bebi todas na concentração, há muito tempo não bebia assim.E isso vai influenciar de forma negativa esse texto, primeiro porque não me lembro muito das performances, e segundo, que o papel que sempre levo e anoto as coisas que vejo, foi lavado junto com calça, e claro ficou ilegível, mas vamos nessa!
Lembro perfeitamente de não ter uma play de abertura, dessas que ficam rodeada de gente e que dali pra frente tudo começa a acontecer de forma gradual. Não, o que aconteceu foi uma enxurrada de adoração de pés ao mesmo tempo em quase todos os cômodos da casa. Quem chegasse e fosse embora naquele momento sem conhecer a proposta e sem ver o resto da festa, poderia jurar que se tratava de uma festa exclusivamente podólatra. Minha Rainha Camille toda hora recebia um podo aos seus pés, não teve muito sossego, e a mesa de sinuca do segundo andar serviu na maior parte como um grande banco para que as rainhas se sentassem e os podos ficassem em posição favorável para a adoração.
Outras plays começaram a pipocar por toda a casa: Mário foi pisado de forma exemplar pela Rainha Olívia, e César ao seu lado, por duas Rainhas cujo nome não peguei (esse texto, excepcionalmente, vai carecer de nomes e apelidos, como disse, o papel molhou).
Recordo muito pouco dos meus tramples, uma pena isso, já que fiz muitos. Mas lembro de ter aberto a noite com a querida Rainha Fada, que subiu de sandálias e assim ficou até o final da play. Pulou muito, lembro dela muito à vontade andando de cima a baixo e subindo no meu rosto.
Lembro da adoração de Richard nos pés da Camille Dame, e do Dinho aos pés de uma morena. Esse Richard também beijou muito as sandálias e os pés da Rainha Red Hands.
O grande Karioca BB estava presente.Lembro-me de duas ótimas plays com ele: a primeira com a Rainha Athena, e a segunda com a Rainha Red Hands. Como sempre nosso querido amigo foi alvo de muito chute no saco e socos por todo o corpo. As Rainhas não perdoavam, batiam com mais força e vontade, e cada vez que ele fraquejava ou caia os golpes eram mais potentes.
Joguei sinuca com um casal, perdi, e a garota me fez lamber a sola de suas botas, era um bota preta, acho que de couro, mas um couro macio, diferente desses que normalmente as Rainhas usam, não sei o nome certo do tal material. Mas a prenda por eu ter perdido foi bem aplicada.
Fiz massagem nos pés de uma morena na área próxima aos banheiros, e ela me disse que esse foi seu melhor momento na festa, que deveriam ter mais massagistas de pés no evento.
Meu amigo Gaúcho estava presente, e o vi pelo menos quatro vezes sendo brutalmente pisoteado por várias Rainhas; Camille, Athena, Psique e Red Hands foram as que presenciei massacrando-o em momentos diferentes, mas outras devem ter participado também, o cara é bom.
Uma Rainha chamada Lena fez uma linda play com um podo chamado Al, ele beijou muito seus pés e lambeu muito sua sola.
O único lugar que não vi nenhuma performance acontecendo foi na boate, por todo canto da casa, e até na varandinha da frente, aconteceram brincadeiras e joguinhos BDSM.
Fui um dos voluntários a servir os drinks verde e vermelho disponibilizado pela casa. Ninguém sabe do que é feito e de onde vem, mas o sucesso é tanto que tivemos que segurar um pouco a distribuição para que não acabasse logo nas primeiras horas. Como na vez anterior, o drink foi servido em grandes tubos de ensaio diretamente (mas sem encostar) na boca das pessoas.
Rolou ainda um lindo Shibari do Mestre Lucas em sua escrava Jota, e a DJ da festa também foi amarrada por ele.
O anfitrião Júlio e o Podo Fabian protagonizaram um dos mais belos tramples da noite. Duas Rainhas subiram de salto em cima deles e pisaram muito. Depois foi minha vez de ir pro chão e ser pisado pela Rainha Olívia e pela Deusa Cy.
Uma dessas, descalça, pulou tanto no meu tórax e no meu abdome que quase apaguei, ela se apoiava na mesa de sinuca e voava lá no alto, seus pés desciam com toda a força em meu corpo.
Saímos de lá depois das cinco da manhã e a festa ainda bombava. Um sucesso total.
Peço desculpas por não poder fazer um relato maior da festa, muita coisa aconteceu, mas registrei pouco dessa vez. Parabéns ao Julio e toda a galera que de alguma forma ajudou na realização do evento. As músicas estavam perfeitas, o clima magnífico! Que venham outras!



"Te julgam pela cor da tua pele
Te insultam e te condenam a penar
Te julgam pela roupa que vestes
Te humilham e não te deixam falar

Você tem que respeitar o direito de escolher livremente
Como um velho mandamento
Você tem que respeitar o direito de ser diferente
Como um novo sacramento

Te chamam de viado,
 de sujo, de incapaz
Te chamam de macaco
Quem são os animais?"
(TITÃS)

12.10.15

Fetish Lab - New Retro Wave - Sexta-Feira



Meus amigos fetichistas,

Com a claríssima proposta de tentar superar a quase imbatível marca da FETISH LAB anterior , chega até vocês a mais nova edição da festa:  “NEW RETRO WAVE”, no mesmo elogiado espaço da LAB anterior, onde a galera se deliciou com as mais variadas práticas de BDSM:  o Albergue da Matriz, localizado na Rua Henrique de Novaes 71, Botafogo - RJ.

 Mantendo a proposta de trazer a mais alta qualidade musical e de muita variedade em performances, esse evento promete mais uma vez divulgar para um amplo público todas os prazeres das nossas noites fetichistas, enriquecendo e ampliando cada vez mais o BDSM na nossa cidade.
A Fetish Lab vem também lotada de belas performances de trample, Shibari, Poney play, Bondage, Spanking, Velas e muito mais, tudo isso ao empolgante som fetichista de Júlio Bessa, Kleber Tuma, Priscila Dau e Suirá Abrahim, todos mandando  o que tem de melhor no Rock and Roll, Classic Rock, Industrial, Gothic e outros.
Haverá Shots servidos A LÀ FETISH LAB a todo o instante, e uma OVERDOSE de sintetizadores e neon por toda a casa! 

  Então salve a data, 16 de Outubro, sexta-feira!! WE ARE BACK! FROM THE FUTURE! 
Será comemorado ainda o aniversário do anfitrião Júlio Bessa. E outras surpresas virão! Então, nem pense em ficar de fora!



Preço: 25 Reais colocando nome na lista e chegando até 1:00 da madrugada. Sem nome e após isso, 35 Reais.

27.9.15

Relacionamento BDSM



São poucas as produções cinematográficas que abordam de maneira séria o universo BDSM. Ao usar da expressão “Universo BDSM”, não estou me referindo a uma omissão da sétima arte em esmiuçar de forma documental todas as formas e gêneros que a sigla possa sugerir, tarefa que julgo quase impossível. 
Atenho-me ao fato de que podemos contar nos dedos aqueles filmes em que o tema, analisado de forma objetiva e sóbria, é visto com a seriedade de merece. 

E esse é um dos mérito de O Duque de Borgonha que toma como referencia o cinema erótico dos anos de 1970 para contar uma história de dominação entre mulheres: Cynthia, mulher rica e dona de uma mansão na zona rural Britânica, e Evelyn, menina usada como sua empregada pessoal para fazer a limpeza da casa e ser punida quando o serviço for mal realizado (e assim é sempre feito propositalmente para que as punições sejam frequentes). Sem mostrar cenas de nudez e sem nenhum papel masculino, o filme seduz exclusivamente pelos belos momentos de dominação. Contudo, começamos a perceber que não é só a fantasia BDSM que embala o romance das personagens, no meio disso há o amor, e com isso as distintas manifestações de aceitação e continuidade das práticas.
A relação das duas mulheres é a espinha dorsal da estrutura narrativa do filme, e com o tempo chegamos ao questionando se realmente está na dominadora o papel de escolha das práticas masoquistas empregues em sua sub, além do fato de compreendermos que o tesão em uma determinada fantasia vai quase sempre agradar mais a um do que ao outro parceiro, e que a repetição reiterada e sem modificações dos atos, tanto sexuais, quanto preparatórios, corre o sério risco de transformar um relacionamento até então propenso a novidades e novas dimensões, em um cansativo jogo sem sal cujo tempero picante das surpresas e renovações ficaram estagnadas no primeiro degrau dessa imensa escada chamada BDSM.
Com uma abertura e uma fotografia que faz lembrar os melhores momentos dos filmes de Ken Russel em que as mulheres faziam parte de um plano superior, o diretor Peter Strickland faz uma delicada junção do cotidiano e do experimental, e cumpre seu objetivo em mostrar o desafio de manter uma relação a dois quando se lança mão do incomum em sintonia com os problemas diários de um relacionamento onde amor, tesão, sexo, individualidade e privacidade caminham juntos e são inseparáveis.
Ficha Tecnica:
 The Duke of Burgundy
 País  - Reino Unido 
 Ano de Produção  - 2014
Duração  - 101 minutos
Censura  - 16 anos