20.10.14

Hora de Fazer Valer!



Todos nós ficamos boquiabertos naquele debate dos presidenciáveis, ainda no primeiro turno, em que o candidato Levy Fidelix comparou os homossexuais aos pedófilos. E vimos dali em diante o nível de preconceito e despreparo que certos candidatos tem com minorias. Nós fetichistas e amantes do BDSM somos uma minoria, somos diferentes.  Os apoiadores do candidato Aécio Neves representam o que há de mais antigo - e retrógrado - na política brasileira. Pastor Silas Malafaia, Levy Fidelix, Marcos Feliciano, além de outros setores extremamente reacionários, racistas, elitistas e homofóbicos da sociedade. Ah, lembrei de Jair Bolsonaro (aquele que afirmou que ter um filho gay é falta de porrada) este e aqueles saudosos dos porões do DOI-Codi e dos bunkers das forças armadas, que ceifaram centenas de vidas dos opositores ao regime instalado em 1964, todos de braços dados com o tucano Aécio... O povo não se vê representado nisso. É por isso que nós que, de alguma forma, participamos e gostamos dessa bandeira que é BDSM e o fetiche de um modo geral, temos que nos preocupar, e muito, com os governantes que elegemos, já que podemos ser vítimas diretas de preconceito e exclusão. Nesse segundo turno, por um Brasil com mais inclusão social, com direitos humanos e respeito a todos os brasileiros, independente de credo, raça e orientação sexual: Vote Dilma, confirme o 13!
Quaternado e Camille Dame, nesse segundo Turno, estão com Dilma Rousseff


16.10.14

A Radiografia da Dor



Estreou essa semana no circuito alternativo carioca, o fortíssimo filme grego Miss Violence, que vem sendo premiado em vários festivais internacionais e que também foi exibido esse mês no nosso festival de cinema do Rio de Janeiro.
O filme se inicia em uma aparente residência normal de uma família de classe média onde se comemora o aniversário de uma menina de onze anos. No momento em que a família começa a se unir para tirar uma fotografia em conjunto, a aniversariante com ar tranqüilo, se aproxima da sacada da varanda e se atira, cometendo suicídio. O filme não foca somente nas drásticas conseqüências desse ato e da desestruturação de uma família pós-tragédia, o roteiro nos remete pra dentro de um apartamento em que um avô extremamente dominador manipula e persegue uma família com medo e que se acha dependente dessas atitudes rigorosas e autoritárias para continuar se mantendo. Por mais estranho que possa parecer, ou surreal que possa acontecer, no momento em que a menina se joga da janela seu rosto esboça um pequeno sorriso. Seria de alívio, de vingança, de liberdade? Vendo o filme a gente acha respostas, todas plausíveis. O filme se desenvolve na dor, e transmite raiva e indignação, porque o que passa ali pode ser real, existem pessoas assim, existem famílias que passam por experiências semelhantes e que perante a sociedade parecem normais e felizes, transmitem o oposto do que são. Quando o filme acaba você não sabe dizer se foi bom. Você sabe que foi bem filmado, que os atores estavam bem nos seus devidos papeis, que a fotografia e a edição são bem feitas, mas fica a dúvida se você gostou ou não. Depois, pensando, chega-se a uma conclusão. Eu, por exemplo, achei espetacular, mas mexeu comigo, deu vontade de chorar, de discutir com alguém sobre o tema da violência familiar, da dominação não consentida, do absurdo do sexo forçado e tudo mais. É uma porrada no estômago, e devíamos ser preparados para ver e analisar essa história triste de violência sólida, covardia concreta e dolorosa, que nos encontra e nos atinge moralmente.O ser humano presta?
Dito isso, estamos diante de uma obra-prima do cinema europeu, capaz de tirar o sono, ou fazer ver algumas questões com outros olhos. Não recomendo a ninguém como entretenimento, mas recomendo a todos como uma experiência cinematografia forte e perturbadora.

8.10.14

Exòtic três anos - Ata!



Teve uma época em que bombaram nos cinemas filmes de personagens com dupla personalidade: “Janela Secreta”, “Clube da Luta”, “Identidade” e “Eu, Eu Mesmo & Irene”, são apenas alguns dos títulos em que pessoas aparentemente normais desenvolvem um outro ‘eu’dentro de si mesmas, e mudam radicalmente seu comportamento perante terceiros, ficando completamente irreconhecíveis em suas atitudes, atos e escolhas. Sempre achei surreal nas histórias do super-homem, o Clark Kent não ser identificado com o herói somente pelo par de óculos e um uniforme ridículo que nem o rosto cobre. Todavia, nessa última noite de sexta-feira, na festa Exòtic, tive que mudar um pouco a minha opinião sobre esse comportamento das pessoas de Smallville em não ver o Clark no Super-homem, simplesmente porque algumas pessoas não me reconheceram. E qual foi minha mudança? Apenas um par de óculos, que uso no meu dia-a-dia, e uma camisa social – que também é minha parceira diária nos dias de semana. E no mais, fui a pessoa que sempre sou quando não estou em festa fetichista e quando não estou na pele do Quaternado. Como estou agora servindo a minha Rainha Camille Dame, não vimos mais nexo nesse meu antigo comportamento de ser o “arroz de festa” como sempre fui carinhosamente apelidado pelos amigos. E como meus dias de Rei da Noite ficaram definitivamente no passado, fui pra festa no meu estado normal, da maneira como saio nos finais de semana para curtir um restaurante ou um jantar na casa de amigos. E o engraçado disso é que várias pessoas na festa não me reconheceram; me davam a mão, me olhavam no rosto, mas viravam como se nunca tivessem me visto antes. Não faziam por mal, nem era proposital. Não me reconheciam mesmo! Para alguns eu era um estranho que do nada resolveu sair cumprimentando geral. Quando eu insistia no cumprimento é que olhavam bem pra minha cara, franziam a testa e questionavam surpresos: “Quaquá, é você?”. Sim, era eu, mas agora com única personalidade.

O Bar do Gerson daqui pra frente será o point do nosso esquenta. O lugar é pequeno, mas sempre tem uma mesinha disponível, cerveja em garrafa para os que bebem, e cerveja sem álcool para os que pararam recentemente, além de ótimos tira-gostos apetitosos, e o cara que atende na parte de dentro – lugar que escolhemos pra ficar – é atencioso e engraçado. Dessa vez além de mim e da minha Rainha, apareceram os amigos Vassalo e Lionel. Depois de algumas horas de bom papo partimos pra festa.

Entramos na Castle of Vibe quase meia noite, a festa ainda estava vazia, então foi fácil arranjar uma cadeira lá na salinha disputada do segundo andar. Ficamos lá por um bom tempo até sermos chamados para uma performance que estava preste a começar no primeiro andar. Era um show da tequileira, que abriu um espaço no meio do salão (nessa hora a festa já havia enchido bastante) e colocou uma cadeira bem no centro, e logo começou uma sensual dança, provocando os expectadores. Ela escolhia as pessoas para sentar na cadeira, fazia uns “carinhos”, enchia a boca do escolhido de Tequila, sacudia sua cabeça, e o liberava. Lembro que um dos primeiros a participar da play foi o Carlos (muito engraçado, por sinal, mandando a mulher bater nele), depois foi a vez do Estranho, escravo da Rainha Severa, depois foi um cara gente finíssima, que em uma conversa mais tarde me disse que me conheceu com sua escrava em uma noite em Niterói, mas que eu estava tão ruim que não lembraria de nada mesmo(?), depois fui eu o escolhido pra sentar na tal cadeira: a tequileira subiu com os dois pés na minhas pernas, dançou em cima de mim, lambeu e mordiscou meu rosto e minha orelha. Eu estava com as mãos para trás da cadeira, como se estivesse amarrado. Depois de algumas outras provocações, ela lançou uma boa dose de tequila na minha boca, sacudiu minha cabeça, e o drink-show estava pronto. Mulheres também foram escolhidas para brincar nessa performance, Lenne e Belle de Jour, por exemplo. A outra foi uma garota de uns 18 anos que foi pela primeira vez a festa, e levada pelo seu pai. Show de bola.
Depois disso as plays começaram a estourar pelos cantos, pude ver a Lady Diva fazer um belo trample em um sub dentro daquela jaula do terceiro piso. Já no segundo piso, naquele espacinho que às vezes rola uns tramples, meu amigo de Niterói fazia uma erótica e sensual adoração nos pés de uma linda Rainha, que infelizmente eu esqueci o nome. Rainha Lindinha também teve seus pés adorados e massageados por um podo sortudo, e Mário, mais sortudo ainda, se entregou aos encantos da belíssima Penélope, e agora formam um casal, unidos por uma coleira.

A melhor cena da noite foi protagonizada por mulheres. Índia e Lenne mumificaram com plástico fino uma escrava em uma cadeira e abusaram perfeitamente dela. A play esbanjou sensualidade, entrega e alta qualidade de BDSM. Antes da imobilização, as rainhas despiram a escrava, e depois de presa, a escrava recebeu cera quente de vela no corpo, e apanhou bastante de cane, e depois e foi obrigada a beijar os pés das Deusas, nota 10.
Fiz alguns tramples com minha Rainha Camille Dame. Deitei-me colado ao balcão do bar do segundo piso e ali fui pisoteado de todas as formas. Ela dançou várias músicas em cima de mim, andou, pulou, e caminhou de cima a baixo, ora calçada com seu magnífico scarpin preto, ora descalça, em que me fazia cheirar cada pedacinho de suas solas, e lamber cada centímetro de seus pés. Em um desses momentos uma outra Rainha pediu pra subir também, ela estava de botas com saltos bem finos e quase não agüentei nada. Ela não gostou de eu ter pedido água cedo e soltou a frase: “Botas não é pra qualquer um”. Pura verdade! E foi nessa hora que o celular caiu na fresta do balcão do bar.
Na hora do meu trample com a Camille, tínhamos posto junto ao balcão, nossa carteira, celulares, chaves e óculos. Um dos celulares caiu entre o balcão e a geladeira, num pequeno buraco que nenhum bar que recebe público deveria ter, pois os objetos que ali caem ficam inacessíveis para pegar, já que não há espaço para puxar ou afastar nada, tudo é bem exprimido. O Léo, proprietário do lugar, é um a cara tão bacana, tão gentil, e tão gente boa, que eu não quis insistir para que as luzes fosses acessas, ou que arrumassem um arame ou algo semelhante para recuperar o aparelho, não quis criar caso, até porque a culpa foi minha em deixar cair. Mas o fato é que pra mim a noite perdeu a graça, fiquei triste pela perda da agenda, dos contados, dos chips e de tudo mais que um celular guarda, e fomos embora relativamente cedo (eram três da manhã). A festa estava bombando ao máximo nessa hora, perdemos muitas plays, e por isso a ata vai ficar um pouco incompleta.
Quero agradecer a minha irmã lótus pela ótima festa, parabéns pelos três aninhos da Exótic. Lembro perfeitamente dos dias da preparação, do evento, e do sucesso da nossa primeira festa.E tenho certeza, a Exòtic ainda tem muito aniversário pra comemorar.
Agradeço aos amigos de sempre, pelo carinho que sempre me receberam, e agora recebem minha Rainha. Agradeço também aos amigos que emprestaram o celular-lanterna na tentativa de busca do celular no buraco negro.
Um beijo a todos, e não esqueçam, a próxima Exòtic já tem data, é dia 07/11, e o tema é Halloween. Anotem na agendinha e tirem a fantasia do armário!

28.9.14

3 anos de Exòtic - Nessa Sexta-feira na Lapa!



Amigos e amigas fetichistas,

Está chegando à hora de mais uma super edição da: "Exòtik Fetish Fest” Dessa vez em edição super especial, comemorando três aninhos de existência"B'DAY 3 ANOS". O evento será na próxima Sexta-feira, dia 03 de Outubro, a partir das 23 horas no Castle Of Vibe, localizado na Avenida Gomes Freire 814, Lapa, Rio de Janeiro.

Venha se divertir nessa grande festa fetichista, onde teremos um excelente espaço liberado para qualquer prática feichista: Trample, adoração de pés, Spanking, Torturas de todo o tipo, Poney Boy, Velas, Voyerismo, Shibari, Dog Play, Cross Dresser, Bondage, CBT, Suspensão, uma linda performance burlesca com Alicce RedDesire e muito mais. Muita gente bonita já confirmou presença.
A lapa, berço da Boemia carioca é novamente escolhida para abrigar essa grande festa, o local é super discreto e seguro. Teremos o DJ Finno tocando a noite som dos anos 80, Eletro Pop, House, Tribal e muito Rock'n'Roll , além de vários filmes BDSM e fetichistas selecionados por mim e pelo experiente VJ Mário Tapete.
Haverá ainda Fetish Shows, variadas performances de BDSM, estande de acessórios, sorteio de pés e de brindes, Stand da Cris Fantasy e a presença da escritora fetichista Lola Benvenutti, que estará divulgando e autografando seu livro!

Ingressos no local:
Homens 50 Reais (Com nome na lista pagam somente 40 Reais)
Mulheres 30 Reais (com nome na lista pagam somente 15 Reais)
C. D. 30 Reais (a noite toda)

Lista amiga: Existem três o opções para colocar seu nome na lista e arranjar o desconto:
1-     Colocando o nome na página do evento no Facebook
2-     Mandando um SMS com o seu nome para: 21 9 9784 6948
3-     Mandando um e-mail para mim até as 18 horas do dia da festa – quaternado@yahoo.com.br

Dress Code (opcional) : All Black, Fetish, Couro, Latex, Lingerie, Vinil, Style Sexy, Goth e Zentai

Informações: 21 9 9784 6948    
Lótus Produções Fet
* Proibido fotografar
* Sujeito à lotação e alteração sem aviso prévio.
* Classificação etária 18 anos

Ps. Estarei com a minha Rainha Camille Dame no Bar do Gerson à partir das 22 horas (Esse bar fica na Riachuelo esquina com Lavradio)  . Faremos a concentração por ali mesmo. Encontrem com o casal mais legal do BDSM carioca para uma gelada e um papo pré-festa! Beijos

27.9.14

Intervalo - II

Toda mudança exige uma explicação. O ser, sim, é explicável e mutável. Tudo é mudança, ecos, revérberos, atos perpétuos. Que tudo mude, se converta, se abra, se desenvolva, se amplie, se manifeste, se reproduza, se prospere, se incremente, se propague e no fim das contas se complete. Que toda diferença coincida. Que o desejo tenha tanto direito de existir e se formalizar quanto a abstrata arte de amar e a sólida certeza de saber quem ama.
Impossível usar a máscara conhecida mais uma vez. Máscara no bom sentido, pois a nunca usei diferente. Quem me dera poder sempre recorrê-la para repousar meu rosto em todos os momentos, nesse momento. Não saberia fazer! Isso exige uma explicação, até que simples. Numa noite havia manjericão, noutra refrão, noutra bolero. Solos mágicos de notas musicais que nunca se confundiam e nem se confundirão com outras sonoridades. Aí veio a luz, a incerteza de segui-la, e a cumplicidade dos desejos, e o sentimento que leva a dúvida. Porque a lucidez invoca todos os mistérios e porque morrer de amor todo o dia é a mais suprema das virtudes e a mais verdadeira de todas as loucuras. Então se me estou diferente, é por bem, e se me vir com algo em torno do pescoço, saiba que é apenas o símbolo disso tudo. O todo é só visível em olhos sensíveis.

20.9.14

Intervalo



Sempre acreditei que o coração da gente não tem sentimento, e cada dia que chega, cada experiência que passo, julgo estar certo. O problema sentimental está na boca do estômago, é ali que a gente sente a dor, o vazio e a angustia. Tem gente que perde peso e fica anêmico, porque depois de alguma desilusão o senhor estômago simplesmente se recusou a aceitar material para preencher o vazio que o sentimento deixou, e tem aqueles que querem cobrir a dor com a comida, e vão engordando, engordando até a obesidade. Os mais sadios fazem como eu, sentem a dor e contam com a força interior para reanimar a alma: música, literatura e um porre de vez em quando não fazem mal a quase ninguém. O poeta John Donne uma vez disse que “nenhum homem é uma ilha isolada”, concordo plenamente com isso agora. Por mais que sejamos independentes e livres, precisamos uns dos outros, precisamos falar, ouvir opiniões, saber que erramos, que acertamos, que nos precipitamos, que perdemos a linha, que vacilamos. Sabemos que por mais que tenhamos uma grande dose de bondade, justiça, bom senso e ótimas intenções, também somos orgulhosos, individualistas, e egoístas, isso tudo faz parte do gênero humano. Ser totalmente autossuficiente e auto-absoluto é uma utopia, e pode acreditar, não funciona toda às vezes. Das grandes opções que a vida nos interpela uma delas é a simples escolha de ter ou não alguém. A estabilidade de um relacionamento é, para muitos, mais importante do que a liberdade individual. E a liberdade de fazer o que quer, o ir e vir e permanecer sem satisfações para quem quer que seja, pode ser a coisa mais valiosa para outros. Saber o que quer é o fundamento básico para o nosso encaixe no trem da felicidade, e duas coisas ao mesmo tempo podem nos tirar do trilho abruptamente. Quando alguém duvida do que quer e teme o que mais necessita, passa a ter raiva de si mesmo e também daquele de quem espera que venha a satisfação de tais necessidades. Por isso a importância da sabedoria nos momentos em que questões delicadas vêm à tona. Pode ser apenas uma questão coragem! Você não vai conseguir amar sem ter que lidar com seu estômago: raiva, ciúmes e tristeza vão fazer parte disso em alguns momentos. E se a opção é tentar ser aquela ilha a que o poeta se referiu, seu estômago também vai te dar por vezes avisos, ás vezes bem mais incômodos do que você espera, e isso eu falo por experiência própria! Frases podem ser testemunhas de um crime sem perdão.



“consequentemente, quando, com toda a honestidade, reconheci que o homem é um ser que a existência precede a essência, um ser livre que, em várias circunstâncias, pode desejar apenas a sua liberdade, ao mesmo tempo reconheci que posso desejar apenas a liberdade dos outros” – Sartre

15.9.14

Fetish Lab - O Império Contra-ataca - Ata




Há mais ou menos um ano e meio, um amigo meu que frequentava festa, resolveu comemorar seu aniversário de 40 anos em um sítio um pouco afastado dos centros urbanos. Ele frequentava e não frequenta mais porque acabou se apaixonando por uma Deusa que conheceu numa de nossas festas e hoje o casal de pombinhos curte uma eterna lua de mel BDSM entre quatro paredes. Oooh, não é tão lindo quando o fetiche une casais?. Mas voltemos ao tal aniversário! O sítio que ele alugou era top de linha: tinha uma piscina enorme, campo de futebol, parquinho de diversão pra criançada, churrasqueira e um imenso dormitório com capacidade para mais de 30 pessoas passarem a noite confortavelmente. Enfim, ele se programou muito bem pra essa festa, afinal quando se entra no “enta” não se sai mais. Comprou muita carne, conseguiu voluntários para preparar caldos, torresmos e os mais variados tira-gostos. E para que o Rock and Roll rolasse noite adentro e ninguém parasse de dançar, ele comprou um desses aparelhos de som último modelo que leem de tudo, desde mídia de CD e DVD até cartões de memória e Pen Drive. Pronto, tudo certo para que a festa dure um final de semana completo sem nenhum estresse, só alegria e curtição. Todos já bebiam quando fomos colocar a música: tomada na parede, as dezenas de luzes coloridas do aparelho se acendem, no visor as funções, os programas, as medidas e as frequências. Enfiamos o CD Led Zeppelin IV, vamos abrir com chave do ouro, Black Dog neles. “Ué? Não ta tocando”, alguém logo percebe. Troca-se o CD, põe um DVD! Nada. Alguém de Pen Drive? Sim, um amigo levou. Plugamos! E nada de música tocar. Todo mundo nessa hora vira técnico, vai lá, olha, cutuca novamente nos botões já mil vezes cutucados antes, e nada de sair som nenhum. Resultado, festa sem música! Som com defeito! Um balde de água fria nos trabalhos e dedicações de mais de um mês para uma festa especial. Eu votaria a ver um pouco disso nesse último sábado.

Júlio preparou com todo o carinho uma Fetish Lab especial. Assim como eu, ele é muito fã da sétima arte, e tem como adoração os clássicos de ficção científica que mudaram o gênero nos anos 70 e 80: Star Trek, Blade Runner, A Space Odyssey, e é claro o popularíssimo e escolhido como tema para essa festa: Star Wars – O Império Contra-ataca.
Eu estava fazendo a concentração sozinho, no Bar do Gerson, próximo à festa. Era mais ou menos 22:30 quando percebi um alvoroço na esquina da Rua. Um monte de gente se levantando das mesas e indo até lá, celulares filmando e tirando fotografias. Quando olho são meus amigos da Fetish Lab, fantasiados de personagens do filme, caminhando e divulgando o evento nas ruas da Lapa. As fantasias estavam tão perfeitas que poderiam mesmo ser atores saídos de uma filmagem para uma divulgação do trabalho. Todos queriam fotos com eles. Foi uma cena lindíssima.
Eu fiz a concentração nesse Bar do Gerson porque não tinha ninguém conhecido no Sinucas da Lapa (anunciei esse bar na chamada da festa). E como ninguém apareceu para beber comigo, não fez muita diferença. Depois de umas quatro cervejas fui pra perto da festa, beber naquela lanchonete que fica bem embaixo da casa.Vai que encontro algum amigo pra papear? Conheci uma senhora simpaticíssima, de uns oitenta anos de idade, que diz ter sido amiga pessoal do grande dramaturgo Nelson Rodrigues. Conversamos de literatura, política e cinema. Fiquei impressionado com a inteligência e a lucidez dessa senhora que sozinha num sábado a noite bebia sua cervejinha e relembrava seus tempos de juventude em um bar da Lapa. Quem pegou o final da conversa foi meu grande brother Mário, que esbanjou cultura e conhecimento filosófico ao se adentrar nos professores que lecionaram para a tal senhora. Bebi mais umas três cervejas com Mário, não lembro se ajudei a pagar a conta, e subimos pra festa!

Quando cheguei à galera se animava com o pessoal fantasiado, simulavam combate, tiravam fotos e brincavam de cinema. Aquele primeiro andar parecia um museu de cera vivo. O segundo piso, onde normalmente acontecem às cenas de BDSM estava vazio, todavia o quartinho adotado pelos meus amigos queridos já estava se enchendo. Uma rodinha de bom papo já rolava, me sentei no chão e participei de alguns momentos de conversa. Foi nesse momento que minha amiga Pocahontas falou que já estava indo embora, e que só apareceu para ver os amigos e que queria fazer um trample comigo antes de partir, já que nunca fizemos isso juntos. Fomos pra tal jaula que já falei em outras atas. Não é que a menina sabe pisar? Começou caminhando meio tímida, e logo foi dando uns pulinhos até virarem pulões. Seus pés subiam lá no alto e aterrissavam com força na minha barriga e peito. Foi embora cedo demais, e foi um prazer revê-la depois de tantas festas.
Depois disso fui pisado pela minha querida amiga Lailai_Calavera, que como nos velhos tempos me pisou pra valer e pulou inúmeras vezes, saí destruído. Lailai foi um dos nomes da festa, além de me pisar fez uma ótima play onde era chicoteada pelo experiente Dom Fergir, e mais tarde ou mais cedo (não lembro agora), a linda Lailai também foi espancada pelo meu amigo Ferreiro. Depois, e continuando as sessões de Spanking, essa mesma menina foi espancada pelo Medieval Dragon. E esse mesmo Dom também fez uma linda cena de spanking, que se não me engano, com a Adaga.
Mudando um pouco de assunto, eu estou me modernizando com a tecnologia, não estou mais escrevendo o que vejo na festa. Facilitei minha vida baixando um aplicativo que grava voz no celular e passo a falar ao invés de escrever. Como foi minha primeira experiência com tal modernidade, cometi um pequeno erro e apaguei algumas plays que havia narrado, e como agora não lembro mais, não posso passá-las pra vocês, mas acho que foi algum spanking e algum trample de alguém. Na próxima festa já estarei craque na arte da narração e esse texto deve ficar bem mais rico.

Na última edição da Fetish Lab eu comentei com vocês que massageei e beijei os pés de uma Rainha de Niterói. Dessa vez ela estava presente de novo e aconteceu à mesma coisa. Foi lá na salinha BDSM, fiz uma massagem com algumas lambidinhas em suas solas.
Quando desci a casa já estava mais cheia e ia continuar enchendo se não acontecesse o que aconteceu: o som parou, pane geral! Um balde de água fria nos trabalhos e dedicações de um mês do Julio para uma festa especial. Quem chegava e não ouvia música ia embora, e os presentes começaram a se retirar. Em 40 minutos a festa já havia perdido mais ou menos 60% do público. Depois de uma hora sem som, eu já cansado e bêbado, também fui embora. Fiquei sabendo que depois que saí consertaram o som, e boa música do DJ voltou a rolar, uma pena eu não ter esperado mais um pouco, mas naquele momento eu julguei que não conseguiriam reverter mais à situação. Então não sei se rolou mais performances e até que horas a festa durou, fui embora as duas da manhã, eu acho.
Quero agradecer ao Júlio pelo evento, e me desculpar pela minha saída um tanto cedo. E quanto ao som, não fique chateado, esses incidentes acontecem mesmo, não dá para prever.E tenho muita certeza que outras grandes Fetish Labs virão por aí. Eu me diverti muito enquanto o som rolou, e muita gente curtiu bastante também, e que venha a próxima em alto, bom e duradouro som.
Obrigado a todos pelo carinho de sempre! Beijos e paz! Nos vemos em Outubro.