Alguns amigos me falam que minhas atas estão sempre lotadas de elogios às festas, e que cada evento novo é sempre o melhor de todos. Pode até ser que esse argumento tenha certa parcela de razão, mas o que posso fazer se a cada dia que passa mais gente se adere ao nosso movimento? Se cada vez mais pessoas lindas surgem enchendo de brilho nossas noites fetichistas? Só me resta elogiar e agradecer, confirmar em palavras o feliz momento pelo qual o BDSM carioca está vivendo. O evento de sábado nos mostrou como estamos perto de entrarmos no rol das grandes festas que se destacam nas noites da cidade maravilhosa.
Antes de começar a ata quero dar uma palhinha sobre a noite de quinta-feira, ou seja, dois dias antes da festa. Minha amiguíssima e vizinha Pépe recebeu em sua casa três figuras extraordinárias de São Paulo: Gabi BombShell,loira linda, rosto de colegial e cara de sapeca, tão parecida com a atriz estadunidense Evan Rachel Wood que se fizessem um concurso de sósias dificilmente tirariam seu título. A bela morena Li, com um jeitão de autoritária e olhar cativante, e o brother Master Dominus, exímio fotógrafo que deu um show de shibari e suspensão nos locais mais belos de Niterói. Apesar de saber que chegaram exaustos de viagem não relaxei até conhecê-los. Fui lá com umas cervejinhas nas mãos e não sosseguei até arranjar um maravilhoso trample com Gabi. Seus pés, ainda suadinhos da longa trajetória “Sampa-Nikity”, estavam perfeitos e deliciosos. Fui bastante pisado também. Depois ficamos de papo até de madrugada. Despedi-me, sábado teria mais.
Excepcionalmente cheguei tarde à festa, esperei Rainha Psique, que esperava Tapetinho Persa, que aguardava Rappa, e assim por diante. Rainha Psique foi bem malvada comigo, chegou na minha casa, sozinha, de vestidinho cor de nuvem, scarpin lindo, e nem uma cheiradinha nos seus pés me liberou. Até quando vai durar essa cisma?
Minha entrada na festa, apesar de tardia foi a melhor que já tive. Não esperava tanto carinho, tanta preocupação em que eu chegasse. Fiquei extremamente feliz e agradeço a todos pela consideração. Pelos arredores já aconteciam performances, Rainha Átia, belíssima como sempre, passou montada no meu amigo Precatore, toda cheia de pose e autoridade na famosa performance de Poney. Em outro canto um Mestre já amarrava o belo corpo de sua escrava, no meio da sala Gaúcho mostrava todo seu talento de bom tapete com uma linda rainha pulando em seu corpo. A casa já estava bem cheia e ainda nem era meia noite, já dava pra sentir que o evento seria um grande feito.
Rainha Ellen de BH foi a primeira a me pisar. Eu ainda estava frio e sem álcool no organismo, por isso amarelei mais cedo que de costume. Como sempre, deu aqueles pulos olímpicos bem altos e fortes, em que chego a quicar no chão. Mas não resisto à tentação de ser massacrado por pés tão cruéis. Logo a seguir veio a minha amiga Deusa da Noite, dançou uma três músicas em cima de mim, tudo com muito pulo e chute. Depois disso toda hora nos víamos, batíamos foto e etc...Mais tarde no nosso segundo trample, ela convidou uma amiga para ajudá-la, a exuberante Rainha Kali, de Porto Alegre. Desavisada foi logo subindo com seu salto fino, deu alguns passos pra lá e pra cá e já pedi água. Esses poucos segundos em que Deusa Kali me pisou calçada me renderam as famosas marquinhas redondas abaixo da costela, símbolos que antigamente eu carregava quase que diariamente. Rainha fada mal esperou pela minha recuperação e me pisoteou todinho. Acabou comigo. E ela que nem é de pular parecia uma coelhinha malvada pra cima e pra baixo. Rainha Frigg finalmente reapareceu. E foi ela que me convidou para um trample, mas com a ressalva que teria que ser de salto. Como eu já conheço essa bela Deusa de outros carnavais não me arrisquei. Quem já foi pisado sabe do que falo é uma das plays mais violentas do BDSM. Arrependo-me hoje de não ter ido pro chão, fica pra próxima.
Muitas gatas me pisaram, não tenho como contar aqui tudo que me aconteceu, ficaria um texto cansativo. Todavia duas gatas me surpreenderam, uma de São Paulo, cujo apelido é Princesinha do Cerrado, em que fiquei apaixonado pela beleza e crueldade dos seus pés, e a outra uma carioca, que no final da festa fiquei sabendo que já foi escrava do meu grande amigo Coração Gelado. O nick da pequenina gata de pés lindos eu esqueci, mas não poderia deixar de registrar o fato aqui.
Quem deu um show à parte foi à turminha da Pépe e o pessoal de São Paulo, conhecidos como “Teatro Delirante”. Deram uma aula de BDSM com todas as performances que vocês possam imaginar; até na rua, lá fora, rolou umas doideiras que não posso contar. A irmã da Pépe, que entrou há poucos dias no nosso círculo, já se mostra como a escrava do ano. Raramente presencio uma gata receber tanta chicotada, vela, agulha e não esboçar nenhuma expressão de dor. Mário, Gaúcho, Paulista, Tapetinho Persa, e Nelson foram os tapetes mais castigados pelas belas Rainhas presentes. Mas quem roubou todas as cenas foi Deusa da Noite. Nunca a vi tão feliz, tão linda, tão divertida. Sua alegria era contagiante.
Quero me desculpar desde já se esqueci de algo importante, mas sabem como é minha amnésia alcoólica né? Nunca lembro de tudo! Caso alguém quiser acrescentar algo da festa é só por nos comentários, eu copio e ponho aqui no texto principal.
Parabéns a Lótus, Caê, E CG pela união desses três eventos maravilhosos: Exotic, Delírium, e BDSM Rio. Espero que essa junção seja apenas a primeira de muitas. Parabéns também a todos que, direta ou indiretamente, ajudaram para que essa grande noite acontecesse. Obrigado a todos que vieram de outros estados e países para prestigiar o BDSM carioca. Parabéns a Rainha Psique por mais um ano de vida. E pra encerrar, um muito obrigado mais que especial a Rainha Ava, pela confecção e fabricação da linda máscara que usei no evento, e pelo carinho e preocupação nos dias que se seguiram com a minha saúde e minha integridade física (pouca gente sabe, mas fiquei destruído pra valer desta vez).
Ps. Literalmente saio do ar por dez dias. Vou pular carnaval no Espírito Santo e nem celular levo. Na minha mochila só sunga de banho, escova de dente, camiseta, umas cuecas, bermuda, chinelo e isopor pra latinha de cerveja. Um excelente carnaval a todos, usem camisinha.
“quem me vê sempre parado, distante, garante que não sei sambar, to me guardando pra quando o carnaval chegar” ( Chico Buarque) ... para os meus irmãos Sandrinho e Rainha Lindinha.