2.9.16

Um Conto


Almas Gêmeas

 


Não ser notada, essa é a maior vantagem de ser invisível.  Pode parecer obvio isso, mas temos outros prós que só nós os tímidos sabemos, como por exemplo, repetir merenda na cantina e ganhar bom dia duas ou três vezes da mesma pessoa por ter esquecido que já nos cumprimentou.  E naquela manhã ensolarada, na hora do recreio das turmas de terceiro, quarto e quinto ano, eu não me sentia apenas invisível, me sentia ausente de tudo, e a única coisa que me animava era o clima frio com cheiro de mato molhado banhado pelo sol. Sentir o calor solar no rosto em dia espacialmente frio é de um conforto tranquilizante. Por isso me afastei, sentei na mureta que separa o pátio dos jardins, tirei meus sapatos e meias, estiquei as pernas no concreto ainda úmido e projetei meu rosto para o céu, acho que cochilei, e consequentemente não o ouvi chegar, mas abri os olhos e ele estava lá, aos meus pés, em meio a uma aureola avermelhada refletida pela luz do sol.
Quem ele era?  Estava de uniforme como todos ou outros meninos e usava um boné que parecia de time de futebol, mas não identifiquei seu rosto, o brilho do sol interferia. Mas tenho certeza que o vi, o senti, e o ouvi, mas ele foi embora. Ou seria melhor dizer que se desintegrou, se diluiu? Mas sim, afirmo, ele estava ajoelhado aos meus pés. Não sei por que se ajoelhou, mas o certo é que, ao contrário da maioria, não era para zoar de mim. Desde o início me tratou com tanta doçura e reverência e mostrou tanto respeito e humildade que minha insegurança em ver alguém tão próximo logo desapareceu. Como é possível que eu não tenha ficado assustada com um desconhecido, provavelmente de outra turma, tão próximo de mim? Não consigo compreender. Mas em todo o tempo que o garoto ali ficou, falando comigo como se falasse com a professora, ou mesmo com a diretora do nosso colégio, como seu eu fosse alguém importante e não uma garota simples e modesta que sou, em me senti mais protegida que junto ao meu pai ou ao meu tio.
E como ele era bonito, ou parecia ser pelo pouco que minha vista o percebeu! Acho que na verdade nem em novelas eu tinha me deparado com alguém tão harmonioso, parecia feito de luz e protegido por uma áurea abençoada, com formas perfeitas e uma voz sutil.  Quase não podia olhar para ele, cada vez que meus olhos pousavam em seus traços frágeis, no seu rosto gracioso ou nas longas pestanas dos seus olhos bondosos, sentia uma paz interior que chegava a sufocar. Será isso que a minhas amigas sentem quando se apaixonam? Esse calor que vem de dentro do corpo, que começa no estomago, percorre as veias de todo o corpo e se aloja no coração?
O garoto dizia que sou a melhor, que entre todas as meninas da escola sou eu a escolhida. Por quem? Para que? Por quê? Que coisa boa eu teria feito para alguém me preferir? Sei muito bem que valho pouco, nessa escola tem muita menina mais bonita e mais interessante que eu, e no colégio particular daqui do bairro então nem se fala, só meninas bem cuidadas, que comem carne todos os dias e vão até de carro com os pais para terem aula. Por que me escolheriam então? Por ser mais reservada e tímida? Por fazer os deveres de casa todos os dias e ir à igreja aos domingos? Não acredito que eu tenha outras qualidades além dessas, se é que o são, e não defeitos. Rosane uma vez me disse: “Falta ambição na sua vida, Maitê. ” Talvez seja verdade, o que fazer se nasci assim, me contentando com as belezas da natureza e com hábitos saudáveis da leitura e dos filmes. Por isso talvez digam que sou simples. Mas tenho sonhos, quero me casar com um homem carinhoso, que me sirva e me trate como se eu fosse a única mulher que sobrou no mundo, acho esse sonho tão engraçado que me pego rindo sozinha, complexo de cinderela. Queria também que ninguém nunca passasse fome, sabiam que a fome tem cor? É amarela.
O garoto dizia coisas absurdas, mas de um modo tão carinhoso e verdadeiro, que não me atrevi a rir. Disse que eu seria uma Rainha, com apenas um escravo, mas que esse servo seria leal e até morreria por mim. Estaria com essas palavras tramando alguma coisa a favor ou contra alguém? Não sabia o que dizer a ele, mas que feliz eu ficaria se alguém me jurasse uma lealdade tão forte a ponto de morrer por mim, principalmente se fosse alguém tão doce e misterioso como esse menino que surgiu do nada na minha frente.
Outras palavras soaram bonitas, mas eram difíceis de se entender. “ Destino extraordinário”, “Soberania Plena”, e algumas palavras em outra língua, acho que inglês, apesar dessa matéria não estar sendo dada por falta de professor. “trample”, “mistress”. Ele fala outros idiomas? A que se referia com isso tudo? Minha maneira de ser me antecipa ao trivial, ao comum. Tudo que se destaca ou se realça demais me inibe, e só me sinto confortável quando vejo que os outros não me notam. “ Maitê é tão discreta que parece que não está presente nunca” brinca comigo Janaína, minha vizinha de carteira.  Eu até que gosto de ouvi-la dizer isso, é verdade, para mim, passar sem ser vista é ser feliz.
Mas já disse, isso não significa que eu não sonhe ou não tenha sentimentos, só não me sinto atraída pelo extraordinário. Fico boba quando minhas colegas dizem que querem viajar o mundo e beijar na boca de cada garoto de outros países, transar com um monte de gente. O que eu faria em terras estrangeiras, ouvindo outros idiomas? O que peço é um homem só, que seja fiel e se possível obediente e carinhoso ao mesmo tempo, como esse garoto que enquanto falava acariciava com a palma da mão a sola de meus pés, sem se importar se estavam sujos ou com algum cheiro. E o que ele quis dizer com destino extraordinário? Minha timidez me impediu de dizer o que eu achava: “Acho que você se enganou, não sou essa pessoa a que você está se referindo, vai na sala buscar a Juliana, será melhor, ou a Patrícia, a mais bonita desse turno. Como pode me eleger a Rainha dos homens? Como pode dizer que vão ter homens que pagariam para se ajoelhar aos meus pés, a limpar minhas botas, e que meu nome vai cruzar a cidade como uma Ferrari atraindo atenções? Pois se enganou de garota e de escola, meu colega. Eu sou muito pequena para essas grandezas que você professa. Eu praticamente não existo. ”
Antes de partir o garoto se inclinou e passou a ponta da língua nos meus pés. Por um segundo fiquei arrepiada, o calor de dentro voltou, mas de forma diferente, subia dos pés para minha cintura, aquecendo minhas pernas como se uma fogueira queimasse ao meu lado. Ainda pude ver suas costas enquanto partia, parecia haver nelas um arco íris moldando seus músculos.
Agora que se foi, fiquei repleta de dúvidas: Por que me tratou como sua Rainha se não tenho nem um animal de estimação? Por que me chamava de senhora se ainda estamos longe da idade para esse tipo de tratamento que costumamos usar com os mais idosos? Por que percebi que seus olhos se enchiam de lágrimas quando profetizou que sofreria? O que está acontecendo? O que vai ser de mim a partir dessa visita?

27.8.16

3° Chopp Podo Clube - Terça feira - Praça XV

Queridos e queridas fetichistas,

É com muito prazer que anúncio a terceira edição do “Chopp Podo Club”, um evento que volta para tirar do virtual um grupo que cresce a cada dia nas redes sociais, e de dar a chance de novas pessoas se adentrarem ao nosso prazeroso universo fetichista.
A proposta é aquele chopinho delicioso e gelado pós-trabalho, direcionado a uma boa conversa e  uma boa prática daquilo que mais gostamos: podolatria, trample e dominação. Tudo isso no coração do centro da cidade, no Clube Mix, bem coladinho à Bolsa de Valores e ao lado da estação das Barcas na Praça XV.
 E você não precisa ser do grupo para comparecer e curtir o evento (eu, por exemplo, não estou nesse grupo), mas já sei o que me espera: pessoas com os gostos semelhantes aos meus, gente receptiva, e é claro, segurança, sigilo e chopp gelado. Então amigos, que tal um encontro happy hour na próxima terça-feira? Nos vemos lá!

Terça-feira, 30 de Agosto - Rua do Mercado 25, Praça XV, Centro – Rio de Janeiro.
Das 18:00 às 00:00 hora.
 Entrada R$ 10,00 +  Consumação
Sorteio de Brinde para as damas

Realização Regulus
Maiores informação – 96473 3513
Censura 18 anos

29.7.16

2° Chopp Podo Clube - Sábado 06/08



Queridos e queridas fetichistas,

É com muito prazer que anúncio a segunda edição do “Chopp Podo Club”, um evento que volta para tirar do virtual um grupo que cresce a cada dia nas redes sociais, e de dar a chance de novas pessoas se adentrarem ao nosso prazeroso universo fetichista. Dessa vez, o que era um chopinho fetichista no final da tarde, se transformou numa festa noturna! É isso mesmo, a proposta dessa vez é um megaevento na sua noite de sábado, direcionado a uma boa conversa, e o melhor, pôr em prática aquilo que mais gostamos: podolatria, trample e dominação. Tudo isso no coração do centro da cidade, no Clube Mix, bem coladinho à Bolsa de Valores e ao lado da estação das Barcas na Praça XV.


E você não precisa ser do grupo para comparecer e curtir o evento (eu, por exemplo, não estou nesse grupo), mas já sei o que me espera: pessoas com os gostos semelhantes aos meus, gente receptiva, e é claro, segurança, sigilo e chopp gelado. Então amigos, que tal um evento fetichista para levantar seu astral no sábado?
Muita gente bonita já confirmou presença. E para animar ainda mais a noite e endoidar a cabecinha dos podólatras, haverá o Banquet Fruit Crush, isso mesmo que você está pensando, frutas esmagadas para serem degustadas sob os pés de  poderosas  Deusas escolhidas entre as frequentadoras. Você não vai perder né?

Sábado, 6 de agosto - Rua do Mercado 25, Praça XV, Centro – Rio de Janeiro.
A partir das 22 horas.

 Entrada:
Homens  R$ 20,00  + Consumação
Mulheres R$ 10,00 + consumação

Realização Regulus
Maiores informações – 96473 3513
Censura 18 anos

21.6.16

Fetish Lab - 2 anos - Ata



Introdução – Elos que se unem e se desunem.

Quando a Festa FetiXe reinava entre as melhores festas de BDSM do país, no começo da virada do século, tínhamos um público mais restrito, que embora não fosse fechado, se completava em alguns poucos grupos de adeptos com desejos semelhantes que sempre davam as caras nos eventos que aconteciam com frequência na Lapa e no Catete. A renovação existia, mas em ritmo lento, o que propiciava uma série de encontros com pessoas que aos poucos se tornariam colegas, amigos, namorados, amantes e por vezes rivais. Como em uma pequena comunidade, ou vila, onde a maioria se conhece ou já se viu, celebraram-se namoros, noivados e casamentos, alguns que duram até hoje com lindos filhos dessas lindas uniões estáveis homologada por padres, pastores e juízes. E formaram-se grandes amizades, umas que também perduram até os dias atuais, outras que se perderam no tempo, ou que atitudes mal pensadas cortaram o forte laço que as uniam. Tivemos velhos amigos quem se foram por doenças ou acidentes, e novos que chegaram, contribuindo para a renovação e dando outras cores ao movimento. Pessoas vêm e vão nas nossas vidas, e nesses encontros, desencontros e reencontros vamos evoluindo, aprendendo, e ao fim nos surpreendendo com imprevistos que nos deixam boquiabertos, e nos faz pensar se ao final das contas nosso destino não está nas mãos de algum Deus fanfarrão que se diverte com essas peripécias que temos que lidar no nosso dia à dia.  
(..)
Quando eu pulei de uma cachoeira alta; quando eu prolonguei a companhia de um “amigo” para uma cerveja após o bar em dia comum no meio da semana; quando eu aceite, de maneira um pouco pertinaz, o convite meio estranho de uma amiga para uma ajuda em um evento não muito familiar; eu não sabia que essas atitudes, aparentemente sem vínculos umas com as outras, iriam acarretar em importantes mudanças na minha vida.  Tudo isso exposto de um modo um tanto desarmônico e sem nenhum critério, pode causar confusão e interpretações errôneas ao leitor,  e quase nada disso tem de conexão com a ótima Fetish Lab desse sábado; mas até quando elos em desconformidades uns com os outros se mantêm assim? A vida é constantemente mutável, linhas se cruzam de forma muito ocasional, nunca estive tão convicto disso.

II – Pocahontas

Naquelas FetiXes da virada de século conheci Julinho, garotão com pinta de Nerd que seria  o último da fila nas listas de apostas de renovação das festas e eventos fetichistas. Chamava-me (e até hoje me chama) de mestre pelo fato de meu trample ser um pouco mais violento que os demais, deitávamos lado a lado e as Deusas nos pisavam ao mesmo tempo. Nessa mesma época, frequentava uma moreninha linda que nunca me pisava, sempre chegava acompanhada com dominadores, e trocávamos de vez em quando olhares de flerte, diziam ser ela sub. Com o contato rotineiro, acabamos conversando e trocando telefone. Nossa amizade fora de festa foi como um prolongar do nosso contato dentro delas, alguns bons papos e poucos encontros para o chope.  A característica que mais me chamou atenção, além de seus belos pés é claro, era a preocupação excessiva que tinha comigo: após os tramples violentos com alguma rainha mais severa, ela sempre vinha me dar à mão ou um beijo no rosto, questionando se eu estava bem ou se precisava de algo. Dizia pra eu pegar mais leve, para beber menos álcool. Nos tempos que eu ficava bêbado a ponto de vomitar, era ela quem trazia uma Coca-Cola gelada, que fingia ser dela, só para que eu aceitasse uns goles, quando na verdade ela havia comprado o refrigerante pra mim, somente para minha recuperação. Na época, sempre tentávamos encontros ou chopes, mas relacionamentos, datas e horários diversos nunca deixavam nos encontrar. Pocahontas era uma daquelas meninas difíceis de se ver.

III – Rua Henrique de Novaes, Botafogo – Rio de janeiro

O barzinho da concentração é daqueles mais ruins: não tem tira gosto, não tem quase lugar pra sentar, o atendimento é ruim e fecha cedo. E dessa vez o clima era ainda mais desanimador, não tinha ninguém conhecido. Até tinha um podo conhecido, mas estava tão bêbado que nem pode entrar na Fetish Lab minutos depois. Sentei e pedi uma cerveja, logo chegou o colega Fagundes visivelmente com a cabeça noutro lugar, visto que não se concentrava na nossa conversa, e outro amigo que no ano passado tinha ido a uma edição da Lab e gostado. Outro podo ouvindo o assunto familiar da nossa rodinha também se juntou ao grupo. Bebemos até sermos expulsos pelo dono do bar.
Furei fila, estava louco para ir ao banheiro, mas nem tive tempo, como já virou costume na Fetish Lab, assim que colocam o olho em mim, me jogam de chão me pisam. Não deu tempo sequer de eu virar de barriga pra cima, fui pisado por duas garotas nas costas mesmo. Depois de alguns chutes sim, me mandaram ficar de barriga pra cima e uma delas subiu com pulos no meu peito, chegou a escorregar e cair sentada na minha barriga, enquanto a outra enfiava um dos pés quase que inteiro na minha boca. Essas foram as minhas boas vindas.
Descobri que tinha uma promoção de dose dupla de caipirinha, entrei na grande e demorada fila para conseguir as minhas, e o tempo de espera valeu a pena, conheci uma bela Rainha aqui de Niterói chamada Valentina , mora num bairro vizinho ao meu, mas nem deu tempo de  conversarmos muito ou acabar meu drinque, ela já foi me convocando pro palco para um trample com adoração; pulou bastante, e se despediu deixando aquele gostinho de quero mais.
Na boate rolava um lindo spanking de chicote entre Fabian e sua namorada. Encostei ao lado dele e leveis umas boas bordoadas, prometi fazer um trample que infelizmente acabou não se concretizando. No palco onde rolavam as plays também havia um grupo praticando o spanking com chicote, era muita gente assistindo, desisti de conferir. A festa deve ter batido recorde de público, pelo menos nessa casa que não é tão grande quanto a anterior. Ficou faltando espaço pra as brincadeiras.
Três mulheres me pediram massagem nos pés, acho que eram namoradas, ou todas se pegavam entre si, fiz massagem e beijei os pés de uma delas, dentro de poucos minutos as outras já tinhas outros podos em seus pés.
Julinho estava com uma máscara maneira, pequei emprestado e fui fantasiado fazer um trample, ninguém sabia quem era eu. Encontrei uma morena linda que parecia estar desacompanhada, pedi para que me pisasse, e para minha surpresa ela aceitou de primeira. Fomos para o palco, e percebi pela primeira vez que minha costela não estava boa, doeu sob seus pés, pedi para que parasse. Ela pareceu satisfeita por tem me pisado e eu não ter aguentado. Como estava com dor para trample, comecei a levar chicotadas e tapas no rosto, não podia e nem conseguia ficar parado. Uma morena inédita nas nossas festas me deu uns cinco fortes tapas, pensei em beijá-la, mas não me atrevi em chegar junto, queria apenas que minha situação de sub se sobressaísse no restante da festa. Na boate, meu brother quase de infância Tonhão estava sendo pisado junto com outro cara por uma linda mulher, quase me deitei ao lado deles. Minha querida amiga Luana me deu os drinques para que eu servisse de boca em boca, aquele mistura é boa demais, sempre que eu podia dava um gole, mas a fila para beber era grande, então dei preferência às mulheres e acabei quase não bebendo nada.
Rainha Isabel e seu escravo Pierre estavam presentes, ele falou já me conhecia das festas do passado, eu lembrava do seu rosto vagamente. Rainha Isabel tinha os pés lindos, mas já estavam ocupados por podos sedentos. Se não me engano ela me deu um tapa na cara.
A Fetish Lab já é um evento de grandes proporções na cidade maravilhosa, agora é hora de Julinho mudar pra uma casa maior e conquistar um número ainda maior de adeptos, já pode ser anunciada nos jornais de grande circulação, tipo o Rio Show do O Globo, como um evento cultural de final de semana. Nunca estivemos tão próximo de algo assim!

IV – A dura vida das costelas de um louco masoquista podólatra

Há mais ou menos cinco anos eu machuquei a costela inferior do lado esquerdo fazendo trample com a Ellen e com a Lindinha. Não sei também se foram somente essas duas Rainhas, visto que nesse dia eu estava inspirado e fui pisado por mais de 20 mulheres, mas foram essas em especial as que aplicaram os golpes mais pesados. Fiquei um bom tempo com algumas dores, mas nada que me tirasse do meio ou que impedisse que meus tramples fossem feitos nas festas ou mesmo fora delas.
Em abril desse ano sofri um golpe ainda mais duro, e por ironia do destino não foi causado por nenhuma mulher. Fui pular de uma alta pedra em uma cachoeira, me desequilibrei e caí de costela na água, do mesmo lado de onde já doía, o que causou uma pequena fissura. O médico que me atendeu à época foi claro: “Sua costela não quebrou, está rachada, toma uns remédios que em um mês você está novo, não se imobiliza esse osso”. Apesar dos esforços não consegui ficar um mês parado, veio a Fetish Lab de abril e logo a seguir a solteirice, que me fez voltar com força para a prática que mais gosto, o trample! Mesmo com dor, tudo correu bem, e apesar de estarmos sem festas BDSM programadas, fiz duas apresentações com forte pegadas de trample com minha irmã lótus para o público do swing, e algumas brincadeiras com as amigas mais íntimas, e nada comprometeu meu rendimento nas plays, apesar de eu ainda sentir um pouco de dor. Nessa última semana me preservei quase que totalmente, pois a Fetish Lab estava chegando e eu estaria 100% sarado ara curti-la ao máximo.
Sábado eu assistia a Copa América quando meu telefone tocou, era uma querida amiga das antigas FetiXes que eu não via há anos, me chamando para sair com ela, beber umas cervejas, e eu logo me desculpei: Hoje não posso minha linda amiga Pocahontas, vai ter a festa do Julinho, não está sabendo? Não, ela estava desligada do meio e nem esse blog ela acompanhava mais, todavia fiz o convite, vamos pra fetish Lab? Pra minha surpresa ela aceitou o convite dizendo: Hoje piso em você né? Claro, será um sonho, respondi. Ficou de chegar mais tarde, mas prometeu que compareceria.
Pocahotas chegou por voltas de uma e meia da manhã, lindíssima como sempre, e já entrou no clima de brincar com algumas velas, desfilando pra lá e pra cá com ceras no braço, até que a cobrei: E nosso trample, vamos lá?
Fomos pro palco as três e quinze da manhã, ela falou que seria boazinha e que iria caminhar suavemente sobre meu corpo, eu falei que se ela fosse pular, que evitasse as costelas, e que na barriga podia sem problemas. Pocahontas descalçou seus sapatinhos de modo apressado e subiu com as duas solinhas em meu abdome, pedi pra dar um pulinho, ela se abaixou dobrando os joelhos e jogou ambos os pés pra cima, caiu com quase todo o peso na minha barriga, mas os dedinhos do seu pé direito caíram acidentalmente na região afetada, ouvi um crack na hora, minha cabeça rodou, fiquei sem fala e perdi o ar, ela sentiu na sola dos seus pés minha costela se partindo, e desceu no mesmo momento. O pulo não alto, não foi forte, não foi violento, mas foi na medida para o dano causado, minha dor era alucinante, eu queria dizer que estava bem, para não se preocupar, mas não saia uma palavra da minha boca, parecia que tinha uma trava nas minhas cordas vocais. A mão de alguém me levantou e pude sentar, quando veio o ar eu consegui balbuciar que estava bem, levantei comprei uma cerveja e acho que lágrimas desceram dos meus olhos, não pela dor, mas por pensar naquele instante que meus dias curtindo o fetiche que mais gosto chegava ao fim, a dor me dizia isso.Um casal que nunca me viu me abraçou e perguntou se eu precisava de alguma coisa, sorri, e disse que quebrei a costela, mas nada que uma cerveja não cure, brinquei, agradeci a preocupação e ainda tentei ficar na festa, mas não dava, respirar era exercício doloroso demais para se fazer andando, ali naquela multidão. Queria me despedir, dizer que estava bem, mas não também era difícil, tive que ir pra casa.
Na manhã seguinte, no hospital São Lucas de Niterói, cuja emergência tem como especialidade a ortopedia, fui atendido por um casal de médicos mais ou menos da minha idade, quase falei a verdade, mas lembro que mais cedo o Mário me disse pra contar que foi golpe em lutas de arte marcial, então assim o fiz. Eles me disseram que estou fora de qualquer campeonato ou luta pelo período mínimo de três meses, o Raio X era claro, fratura grave na costela, não se engessa esse osso. Bem amigos, acho que “três meses sem luta” deve ser equivalente a mais ou menos seis meses sem trample, visto que é nessa região que as mulheres mais pulam, só que sem a defesa das mãos ou a proteção dos coletes do combate marcial, sem  nada, apenas a armadura da costela suportando os golpes. Eu ia aproveitar essa ata pra me despedir do meio BDSM até 2017, um afastamento compulsório por tempo determinado, mas algumas coisas me aconteceram que me impedem de fazer isso, quero olhar dentro da cara de muita gente por tempo indeterminado. Não faço trample, mas me aperfeiçoo em outros métodos. Deixo aqui um beijo especial para Pocahontas que até agora está traumatizada, e dizer que estou bem, ano que vem faço questão de inaugurar minha nova costela com você! Ah, o médico disse que depois de uns quatro meses, a costela que já foi quebrada cria uma espécie de calosidade que a deixa ainda mais forte do que era antes...aí sim o bicho vai pegar!
Julinho, parabéns  brother, parabéns pelo mega evento, estarei nos próximos, sem falta!

Declare guerra aos que fingem te amar
A vida anda ruim na aldeia
Chega de passar a mão na cabeça
De quem te sacaneia
 (Barão Vermelho)